No período da Quaresma, somos conduzidos ao deserto, a um encontro pessoal com Deus e a um confronto com mesmos. Também somos provocados pelo Tentador, ocasião propícia para reconhecer nossos pecados, nos arrepender de nossas faltas e buscar a mudança necessária, um modo de ser e viver agradável aos olhos de Deus. Como meios propícios a essa mudança de mentalidade, a Igreja sabiamente nos propõe que intensifiquemos a nossa oração, que pratiquemos o jejum e a esmola, meios que se opõem à busca desenfreada pelo prazer e ter um modo de viver, cujos valores estão centrados em nós mesmos, conduzindo-nos a um profundo egoísmo e materialismo e, consequentemente, nos afastando do Reino de Deus.

A prática da esmola é a arma para lutar contra a avareza, pecado que gera grande desordem, já que ergue o “deus dinheiro” e nos cega às necessidades de nossos irmãos, tornando-nos idólatras. Desordem essa que nos leva a amar mais o dinheiro e os bens que com ele adquirimos que ao próprio Deus e ao nosso próximo, assim nos distanciando do que ordenou Jesus:  amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Vê-se, portanto, que a prática da esmola nos proporciona o enfrentamento do pecado da avareza e do amor desordenado a nós mesmos, para buscar amar a Deus acima do dinheiro e de tudo que ele pode nos oferecer e também amar concretamente ao próximo, socorrendo-o em suas necessidades. Um caminho de desapego material e valorização do humano e divino, meio para colocar as coisas no seu devido lugar, dar valor ao que é realmente importante… Amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos e fazer uso ordenado do dinheiro e dos bens para viver esse amor. Lembremo-nos: “a fé sem obras é morta” (Tg 2, 17). viagra levitra and cialis

Movidos então pela luta contra esse grave pecado e pela mudança de mentalidade, devemos nos abrir à prática de esmola, desapegando-nos dos bens materiais, socorrendo nossos irmãos em suas necessidades, ajustando o nosso viver ao que nos ordenou o Senhor, é assim que devemos viver.

Vale ressaltar que não podemos cair no risco do exibicionismo tão comum aos nossos tempos, dando visibilidade aos nossos gestos de caridade. A prática da esmola requer o silêncio, a discrição e cabe somente a Deus, que sonda os corações, ver o bem que fazemos: “Que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”, diz Jesus, “a fim de que a tua esmola permaneça em segredo” (Mt 6, 3-4), e só assim poderemos receber a retribuição divina.

Portanto, sigamos o caminho da conversão, continuemos a batalha, rumo à nossa meta: o Reino de Deus. É importante guardar no coração: “A caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pd 4, 8). 

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