Por que a Globo decidiu ser boazinha? Parte final

PORQUE A GLOBO DECIDIU SER BOAZINHA?

PARTE FINAL

 

A guerra cultural que enfrentamos em nossos dias é uma guerra pelo domínio das consciências. Tudo leva a crer que o objetivo daqueles que se opõem ao cristianismo é minar a influência de Deus na vida das pessoas e em conquistar todos os espaços para o neopaganismo e o antiteísmo.

 

Nesse contexto, é muito importante que percebamos a importância que o entretenimento e a informação veiculados na grande mídia têm na composição do imaginário coletivo de nossa sociedade. Os produtos veiculados pela TV, pelos outdoors, pelo rádio, pela internet etc, não são apenas meros passatempos midiáticos. Eles penetram no mundo psicológico das pessoas defendendo e embasando conceitos, ideias e opiniões, ou seja, há uma identidade (explícita ou implícita) em tudo o que nos chega através desses meios. Daí a vir a moldar a opinião e a postura das pessoas frente à realidade é somente uma questão de tempo. É por isso que, em certo sentido, pode-se compreender toda essa questão como se tratando de uma verdadeira engenharia social (em muitos aspectos semelhante àquela promovida pelos artistas engajados no Terceiro Reich de Adolf Hitler).

 

É esse o olhar que aplico ao caso específico do tema que estamos discutindo desde os outros dois textos anteriores – ou seja, a propagação de uma identidade equivocada de Deus através da própria música religiosa.

 

A adequação de canções religiosas a padrões e objetivos não-cristãos só será realmente compreendida se devidamente contextualizada dentro da macroestratégia da guerra cultural que pode resultar no substancial enfraquecimento da exterminar da face da terra a verdadeira cultura cristã.

 

Já é possível identificar essa decadência e o consequente avanço de um anticristianismo prático que se fortalece a cada dia. Não precisa ser um especialista para perceber a estratégia utilizada para desqualificar a cultura cristã. Ela é composta de duas forças que são exercidas simultaneamente e que funcionam em conjunto, como dois pistões, a exercerem sistematicamente pressões simultâneas sobre um mesmo objeto, o cristianismo, e configurando uma tática de combate ideológico que os estudiosos chamam de double pression, a dupla pressão, vinda de cima e de baixo ao mesmo tempo.

 

O primeiro pistão é responsável por bater abertamente em tudo o que vier de Deus. Ele utiliza determinados meios de comunicação e entretenimento para acusar, denegrir e flagelar a Igreja, a moral cristã, a família, o papa, os sacerdotes, os pastores e pregadores evangélicos sérios etc.

 

Mas esse é apenas um lado da moeda. Se a pressão viesse apenas “de cima”, como ocorreu nos tempos do cristianismo primitivo, seria natural que, também como naquela época, os cristãos se compenetrassem ainda mais de sua identidade e acabassem ainda mais fortes que antes, pois, como diziam os Padres da Igreja, uma das melhores coisas que se pode fazer pelo cristianismo é persegui-lo.

 

Há, portanto, uma outra ferramenta em ação na guerra cultural deflagrada contra o cristianismo em nossos dias. É o pistão da pressão “de baixo”, ou seja, a pressão que vem procurando exterminar a essência cristã a partir de dentro.

 

Ao evitar a ala da mídia que bate abertamente nos valores defendidos pela Igreja, os cristãos acabam se lançando placidamente nos braços da suposta “outra ala”. O resultado é fatal. Os católicos pensam “a Record bate na Igreja e bate na Globo, então, certamente a Globo e a Igreja estão de um mesmo lado, ou, pelo menos possuem afinidades… então é melhor assistir à Globo que à Record”. Os evangélicos, por sua vez, veem a situação toda a partir da outra margem do lago, e acabam agindo da mesma maneira, só que em sentido inverso, ou seja fugindo da Globo e se lançando nos braços da Record.

 

A questão é que isso tudo, como já vimos, é uma estratégia. As ditas “duas alas da mídia” são, na verdade, duas peças de uma mesma engrenagem: uma verdadeira máquina de engenharia social que vem sistematicamente formatando a consciência e a cultura brasileiras para assumirem uma identidade anticristã.

 

De fato, essa arma vem dando certo no Brasil há pelo menos quatro décadas. Ela é uma das grandes responsáveis pela impressionante degradação moral e religiosa verificada em nossa sociedade nos últimos tempos.

 

Voltando para a análise de nosso tema específico, é por tudo isso que corrupção talvez seja a palavra mais adequada para essa lamentável relação entre a música cristã e o show business. Eles abrem um pouco os seus rechonchudos bolsinhos e os artistas cristãos abrem as bocas, os ouvidos e o coração ao que se lhes é proposto.

 

Dessa forma, ao deixar-se inserir na fabulosa máquina de formatação das consciências para o relativismo geral que é a grande mídia mundial, a arte cristã se torna uma placa de sinalização adulterada… bem pintadinha, com tinta da melhor qualidade e fosforescência visível a quilômetros de distância, mas que aponta para o rumo errado.

 

Surge, então, a pergunta: se o objetivo não é somente o dinheiro (e vale a pena lembrar que dinheiro eles ganham a rodo com qualquer porcaria que decidam promover), o que é que essa turma quer, afinal, ao decidir agenciar a música religiosa?

 

Eles querem as pessoas! Eles querem nossa inteligência, nossa vontade, nossa alma totalmente rendida em permanente adoração a tudo o que eles decidirem empurrar por sua goela abaixo.

 

Não podemos nos iludir. Nem sempre aquele artista famoso decide gravar uma música falando de Jesus ou de Nossa Senhora porque ele está se convertendo ou porque se sentiu “tocado” na última missa de domingo. Na verdade  na grande maioria dos casos não é nem ele quem decide o repertório de seus shows ou de seus cds. Essas gravações são simplesmente pretextos, nada menos que ferramentas ideológicas que servirão como contrapesos para a legitimação de tudo o mais que vem no pacote do resto do repertório e de tudo o mais que aquele famoso representa.

 

Muita gente ainda acha que a Rede Globo é boazinha só porque “afinal de contas, ela transmite a missa todos os domingos”. Mas será que ninguém percebe que aquela horinha “gentilmente cedida” no início da programação serve simplesmente para convencer os católicos de que é possível absorver sem qualquer dor na consciência todo o restante de sua maldita programação, restante esse que é abertamente contrário à própria Pessoa de Jesus e a tudo o que Lhe diz respeito? Será que ninguém é capaz de enxergar o preço exorbitante que nós estamos pagando por essas “gentilezas” todas?

 

Da mesma forma, os evangélicos bem intencionados não são capazes de perceber o imenso absurdo que é uma TV Record que veicula no mesmo dia uma minissérie sobre o Rei Davi e uma série juvenil chamada “Rebeldes” e que mantém no ar tanto pastores que vendem simpatias para o descarrego quanto o humor sexista dos “Legendários” e o charmoso antiteísmo pseudocientífico de “Dr. House”?

 

Muito bem, é dessa maneira que, desde a década de 1960 – época em que a revolução cultural começou a ser sistematicamente implantada em nossa sociedade – até os nossos dias, os cristãos estão aí, deslumbrados com o docinho e sem perceber o diabólico veneno injetado em seu recheio.

 

Naturalmente não estou querendo dizer que essa chave de leitura que agora proponho seja a grande saída para todos os problemas culturais de nossos dias. Ela é apenas o apelo para a busca de uma visão diferente a respeito daquilo que entra em nossas casas todos os dias. A Igreja e a sociedade precisa, sim, de uma arte que se propague por sobre os tetos e que leve o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os lugares. A Igreja tem chamado a atenção de seus artistas constantemente a esse respeito. Mas não há dúvidas de que isso deve ser feito em consonância com o Evangelho por inteiro e não apenas com “trechos e temas selecionados”. Afinal de contas, foi o próprio Jesus que nos advertiu que “nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino dos céus” (Mt 7, 21).

 

Porque a Globo deciciu ser boazinha?

Porque a Globo decidiu ser boazinha? Parte 2

 

João Valter Ferreira Filho

Comunidade Católica Remidos no Senhor

2 Comentários »

  1. Por: Edvaldo Eloy

    Prezado João Valter,
    Há um caráter histórico nesse front, a Rede Globo, desde a época de Roberto Marinho, sempre foi muito ligada à Arquidiocese do Rio de Janeiro, fato este que ainda hoje é respeitado pelos herdeiros da família Marinho. Por outro lado, a sua GRAVADORA, de sociedade com o pai do Cantor/Compositor Cazuza, o senhor João Araújo, gosta de faturar de modo bastante abrangente os valores musicais que sejam por demais rentáveis (Pe. Fabio de Melo, Diante do Trono, etc.). Vê-se, portanto, quando se observar por qualquer prisma, que eles querem mesmo é faturar, seja através de católicos, evangélicos ou qualquer outra denominação ou crença em que possa aparecer cantores ou bandas que façam sucesso e tenham apêlo popular que projetem lucros possivelmente altos.
    Sendo assim, lembremos da política de merchandising: “Business is Business”
    Para refletir: “Suas línguas são dardos mortíferos, que só proferem mentiras. Com a boca saúdam o próximo, enquanto no coração lhe armam ciladas.” (Jeremias 9,7)

    Comentário — 10 de fevereiro de 2012 @ 09:24

  2. Por: Damiana

    Rogo a Deus Que nossas mentes e coracoes sejam guiadas pelo Sobro do Espirito Santo e nos deixe livres dessas aberracoes midiaticas!!!

    Comentário — 21 de abril de 2012 @ 09:24