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Porque a Globo decidiu ser boazinha? Parte 2

PORQUE A GLOBO DECIDIU SER BOAZINHA?
Parte II
Em sua Carta aos Artistas (1999), João Paulo II nos explicava que a Arte é para a Igreja uma espécie de sinalização de trânsito a apontar e guiar os fiéis rumo às realidades sobrenaturais que são o domínio do espírito. Desse modo, a música sacra é uma espécie de ponte de sons e de silêncios que une o homem a Deus em uma harmonia na qual a genialidade humana é potencializada ao quase-infinito pela própria Graça divina. A arte dos sons, portanto, se configura para o espírito humano como uma espécie de poder reordenador da Criação. A música cristã é uma voz mística que leva o homem a experimentar o sabor das coisas do alto e a reconhecer que ele não pertence somente à imanência, mas, pelo contrário, é um ser essencialmente transcendente.
A notícia alarmante é que, para além das possibilidades comerciais explanadas na parte anterior de nossa reflexão, o que a grande mídia realmente quer ao propor essa nova relação “amigável” com a música cristã é simplesmente inverter o sentido das setas nessas placas.
Basicamente, essa inversão consiste em arregimentar a música religiosa para formar coro com todo o restante da produção cultural que infelizmente impera não apenas no Brasil, mas em todo o show business mundial, uma produção que tem como único objetivo colocar o ser humano na posição de centro do universo e exaltar única e exclusivamente aquilo que vem e que vai para o próprio homem.
Tudo isso, na verdade, vem sendo semeado há bastante tempo. O que hoje colhemos nas telas de nossas maravilhosas TVs de LED de muitíssimas polegadas é já o resultado de uma semeadura executada desde meados da década de 1960.
Primeiramente foi necessário que se imprimisse uma maneira de se relacionar com Deus que invertesse a ordem original da Criação. Diante do fracasso clamoroso das sociedades que tentaram extinguir definitivamente a pessoa de Deus, tais como a União Soviética e a China (porque nesses lugares os cristãos, mesmo impiedosamente perseguidos, sobreviveram e continuam testemunhando sua fé) os estrategistas da iniquidade perceberam que seria necessário combater o cristianismo a partir de dentro, uma guerra que fosse travada no ambiente cultural, e não apenas institucional.Em outras palavras: já que o homem não podia mesmo viver sem Deus, então era preciso que se alterasse a percepção da identidade do Deus verdadeiro no interior do homem, a fim de que, apenas de maneira semiconsciente, o ser humano voltasse à prática da idolatria.
Esse novo elemento cultural introjetado na sociedade através da mídia nos últimos anos é, na verdade, uma espécie de neoantropocentrismo e pode ser facilmente verificado na música religiosa de nossos dias. De fato, se prestarmos um pouco de atenção, veremos que os textos das canções ditas cristãs que mais fazem sucesso na grande mídia não são efetivamente de louvor e adoração, mas giram em torno, sobretudo, dos interesses do homem e daquilo que Deus pode fazer pelo indivíduo… o “meu sonho”, o “meu milagre”, a “minha cura”, a “minha bênção”, a “minha herança”. O homem sonha, Deus realiza. Em resumo: Deus é o gênio da lâmpada e, é claro, a única razão de Ele existir é para realizar todos os meus desejos!
O que poucos parecem perceber é que o objetivo da mídia ao se utilizar dos próprios artistas cristãos para promover essa falsa identidade de Deus é o de conduzir toda a sociedade ao mais completo e absoluto ateísmo. Isso é tão obvio, mas a hipnose coletiva produzida pela indústria do entretenimento é suficientemente eficaz para cegar nossos olhos diante desta realidade.
Mas como se pode dizer que divulgar uma música que fale de Deus levará as pessoas a não acreditar em Deus?
O “x” da questão reside no fato de que toda essa conversa de que Deus satisfará plenamente todos os sonhos mundanos que o indivíduo queira ter é mentira! A realidade não é assim! Alimentar expectativas consumistas a respeito da ação de Deus em nossa vida é idolatria, uma postura que não terá outra consequência senão a desilusão religiosa e seu mais famigerado fruto: o ateísmo.
Outrossim, grandes aglomerados de mídia jamais colocariam em sua linha de frente canções que falassem da salvação única pelo sangue de Jesus, da necessidade de se abandonar o pecado ou, ainda, dos valores e da moral cristã contidos na Tradição e no Magistério da Igreja.
A tomada de consciência a respeito desse modelo adúltero de relacionamento com Deus, que surgiu em alguns ambientes protestantes do século XX e que atualmente é praticamente hegemônico no cenário cristão do século XXI (pelo menos naquele que aparece constantemente em nossas TVs), é o primeiro elemento necessário para que possamos compreender a grande engrenagem de deturpação da arte cristã que a mídia vem colocando em funcionamento em nossos dias.
Na próxima parte de nossa reflexão abordaremos alguns exemplos práticos de como isso vem acontecendo em nosso meio e poderemos ver com mais clareza algumas das consequências monstruosas que estamos engolindo – e até com gratidão – em troca de algum sucesso e algumas salvas de palma.
João Valter Ferreira Filho
Discípulo da Comunidade de Vida






Por: Albaneide
Louvo a Deus por pessoas que ainda enxergam a realidade e fazem os outros enxergarem.
Comentário — 27 de janeiro de 2012 @ 09:24