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NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES

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Ela deu à luz o seu filho primogênito,

envolveu-o em faixas e o deitou

em uma manjedoura, porque não

havia lugar para eles na sala dos

hóspedes” (Lc 2,7).

 

O primeiro Natal da história já preanunciava o que aconteceria nos demais: quando Jesus estava para nascer, não encontraram lugar na sala de hóspede para Ele, Maria e José (cf. Lc 2,7). A hospedaria estava cheia e, portanto, tudo o que havia sobrado para a Criança era um cocho de animais. Por acaso não é isso que continua a repetir-se ano após ano? Nesta época, as hospedarias não estão literalmente preenchidas? Refiro-me à externa (hotéis, pousadas), mas, também àquela hospedaria interior: o coração do homem.

 

Como bem recordou Bento XVI, referindo-se ao Natal, “tem-se a impressão de que muitos consideram Deus fora dos seus interesses. Aparentemente não precisam d’Ele; vivem como se Ele não existisse e, ainda pior, como se Ele fosse um ‘obstáculo’ a superar para se realizarem a si mesmos”.[1] Desse modo, já não é somente a Cruz que recorda o drama da indiferença humana a Deus ao qual aludiu S. João no seu Evangelho,[2] mas também o Presépio: “Não havia lugar para eles”.

 

O lugar que deveria ser de Deus, e somente d’Ele, tantas vezes é ocupado com mil coisas que dizem respeito apenas a nós, ao nosso “mundo”, aos interesses pessoais que, quase sempre, deixam Deus à margem. Mas isso não é algo que acontece somente com os não-crentes, o que seria, em certa medida, compreensível. O não dá lugar para Deus-Menino muitas vezes é atitude dos próprios cristãos batizados e até mesmo dos consagrados. Quanta contradição! Quanta indiferença Àquele que deveria ter a primazia, o primeiro lugar em nossas vidas!

 

O não acolhimento do Verbo Encarnado naquela noite em Belém esconde outro mistério: os hospedeiros não sabiam que naquela Mulher prestes a dá à luz estava o Messias de Israel. Se soubessem, muito provavelmente teriam feito de tudo para que o Menino nascesse num lugar melhor. É que Deus costuma chegar em nossa vida sem avisar. Foi assim a primeira vez, e continuará a ser muitas vezes, até Sua última vinda, na consumação dos tempos, como um ladrão (cf. Mt 24,42-43).

 

Quando os donos da hospedaria vieram a saber que aquela criança deitada num cocho de animais era o próprio Deus, já era tarde. Não havia tempo para fazer mais nada. A hospedaria de Belém entrou para a história como aquela onde “não havia mais lugar para eles”, José, Maria e Jesus. Poderia ter sido diferente, mas não foi!

 

Este “drama” de Belém tem muito a nos dizer. Não podemos nos distrair um só instante da nossa vida. Deus deve ocupar os nossos pensamentos o tempo todo. Ele deve ser o primeiro a ser considerado na hora de tomarmos decisões e fazermos escolhas. Ademais, não podemos ser indiferentes ao nosso próximo, a nenhum, pois o outro será a via pela qual muitas vezes Deus chegará em nossa vida solicitando acolhimento e um lugar onde possa reclinar-se. Dessa forma, dá lugar para o Cristo-Senhor, deixa de ser apenas uma questão “espiritual” e passa a ter também uma dimensão humana, concreta.

 

Peçamos ao Senhor, de coração sincero e sabendo o que isso significa, que Ele venha nascer em nosso coração. Digamos a Ele que em nossa hospedaria, diferentemente da de Belém, há lugar. Façamos nossas as palavras do poeta que traduziu em canção sua resposta ao Menino de Belém: “Vem nascer em mim, Menino. Quero renascer neste Natal.    Se não havia canto pra Você nascer, eu te dou meu coração”.[3]

 

Um Santo Natal para todos!!

 

[1] Audiência Geral. Quarta-feira, 21 de dezembro de 2006

[2] “Ele veio para o que era seu, e os seus não o acolheram” (1,11).

[3] LUCIANO, Izaías. Vem nascer em mim – CD É Natal (Edições Shalom)

 

 

Francivaldo da S. Sousa (Vavá Silva)

Consagrado de Vida – Comunidade Remidos no Senhor

 

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