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“Eu vivo pelo Pai” (Jo 6,57b)

Eu vivo pelo pai 2

 

Jesus revela a plenitude do homem, ou seja, um homem plenamente realizado. E essa afirmação “vivo pelo Pai” vai de encontro ao que se propaga com relação a realização pessoal, de que para ser feliz é preciso fazer a nossa vontade, tudo da forma que nós desejamos, ter mais tempo para nós, entre tantas outras coisas.

 

Jesus nos diz que vive pelo Pai, consequentemente não vive para ele mesmo. Não há um olhar voltado para si, mas para fora de si, pois a nossa realização a nossa vida não está em nós, mas está fora, mais precisamente “escondida com Cristo em Deus” (Col 3,3b). Quando se vive por alguém se vive em função de alguém, ou seja, para fazer sua vontade.

 

É comum encontrarmos filhos que vivem em função dos seus pais, que já estão idosos ou com problemas de saúde que os impedem de viver independentes, mesmo nas questões mais simples. E por mais desgastante que seja, quando se vêm sem esse “fardo”, acabam perdendo o sentido da vida. É um peso o que esses filhos carregam, contudo acaba se tornando o centro de suas vidas. Alegram-se quando os pais se alegram e se entristecem quando os pais se entristecem. A vida, a realização deles, não está mais neles, mas nos pais, em fazerem os seus felizes. Este é um exemplo de que as nossas vidas não estão em nós mesmos. Mas também não estão em nossos pais, pois é natural que os percamos. E quando isso acontecer o que iriamos fazer?

 

Metaforicamente falando foi assim que Jesus viveu, não porque o Pai dependesse dele ou algo semelhante. Mas porque a realização da sua vida era realizar a vontade do Pai. Veja bem, do Pai e não dos pais. Até que quando Ele tinha doze anos gerou uma situação um pouco constrangedora para Maria e José, quando foi reencontrado no Templo entre os doutores (Lc 2, 41-52), quando Ele preferiu ficar com o Pai e não com seus pais.

 

São incontáveis as realidades em que os filhos têm como vontade realizar os sonhos dos pais seja no âmbito profissional, amoroso e até vocacional. Muitos desses pensam que sua realização está em realizar a vontade daqueles que os criaram. Mas, de onde vem essa forma de pensar? Por que tantos jovens acabam fazendo a vontade de seus pais?

 

Entendo que muitos filhos dessa forma querem agradecer a seus pais, pois foram esses que os criaram, que deram carinho, proteção e amor. Entendo também que, em alguns casos, por não terem a companhia e o carinho dos pais querem ao menos o seu reconhecimento. Outros por medo acabam obedecendo. Ainda há alguns que por serem inseguros acabam por depositar seus planos nos planos daqueles em quem confiam.

 

Mas, para darmos uma luz para esse tipo de pensamento, voltemos para a passagem do reencontro de Jesus no Templo. Todos os anos a Sagrada Família ia para Jerusalém por efeito da Páscoa e voltavam para sua cidade. Contudo, quando Jesus completou doze anos ao irem cumprir esse preceito, na hora do retorno não encontraram Jesus. Penso que nesta idade o Menino fez uma grande descoberta, digo isso pois preferiu ficar na Casa do Pai a voltar para casa com os seus pais. A descoberta, ou melhor, a compreensão foi que Ele tinha um Pai no céu. Esse o amava mais do que qualquer pessoa, de uma forma tão extraordinária que nem mesmo o amor dos pais podem se comparar. Era um Pai que estava sempre ao seu lado, do qual ele já tinha todo o carinho e reconhecimento e para com esse não havia razão de medo ou temor. E além do mais era um Pai poderoso, criador de todas as coisas e que as governava de acordo com sua vontade. Nesse qualquer filho pode confiar. A Esse todo filho deveria obedecer.

 

Talvez seja essa a descoberta que precisamos fazer. Se é em gratidão que temos que fazer a vontade de alguém, se é por causa da confiança que depositamos naqueles que nos criaram o óbvio seria que fizéssemos a vontade daquele que nos deu o seu tudo e o seu único por amor, que trocaria reinos por cada um de nós. Se for por confiança… o Pai é o Deus todo poderoso o criador e governador de todas as coisas. E ainda se for por nossa insegurança, por não saber o que é melhor para nossa vida, aquele que nos criou sabe onde está a nossa realização. E essa está em Sua Santa e Indiscutível Vontade.

 

Se for como Cristo que queremos ser, homens e mulheres plenamente realizados, precisamos proclamar com nossas vidas que não vivemos por nós mesmos. Por causa de uma experiência com o Amor de Deus, possamos de forma pessoal dizer para esse mundo, assim como Jesus o fez, “eu vivo pelo Pai”.

 

 

 

Diego Carvalho

Consagrado de Vida – Comunidade Remidos no Senhor

 

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