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Enviou-me para pôr em liberdade os cativos

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“Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu costume,

entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura.

Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías;

desenrolou-o, encontrando o lugar onde está escrito:

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção

para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação dos presos

e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos

e para proclamar um ano de graça do Senhor’.

Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga tinham os olhos fixos nele” (Lc 4, 16-20).

 

 

Este texto que Jesus lê na sinagoga de Nazaré, é extraído de Isaías 61. A expressão “Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação” é dito também pelo profeta, mas com uma adicional: “aos prisioneiros a abertura do cárcere” (Is 61,1). Curioso é o fato de Jesus se defrontar, no início do seu ministério público, justamente com este texto, não somente pelo seu conteúdo (que já resume acertadamente sua missão), como também por ser de Isaías.

 

Isaías exerceu sua missão de profeta em um dos períodos mais difíceis já enfrentados pelo povo judeu: o exílio da Babilônia. Por uma série de fatores históricos, políticos e religiosos (que não vem ao caso explica-los aqui), um grande número de judeus foi deportado de sua pátria pelo rei Nabucodonosor e mantido exilado durante anos. O livro de Isaías compreende o período do pré-exílio, do exílio, bem como o seu término, ou seja, quando os filhos de Israel são libertados e retornam ao seu país.

 

Ora, se a imigração já é penosa para o homem contemporâneo, imaginem para um judeu do século VI a.c., profundamente patriota. A questão para eles, porém, não era somente estar distante de sua terra natal, mas também do Templo (que a esta altura já havia sido destruído), do culto, da cidade santa. O salmo 137/136 exprime com maestria os sentimentos que havia no coração daquele povo durante o exílio:

 

“Às margens dos rios de Babilônia, nos assentávamos chorando, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros daquela terra, pendurávamos, então, nossas harpas, porque aqueles que nos tinham deportado pediam-nos um cântico. Nossos opressores exigiam de nós um hino de alegria: ‘Cantai-nos um dos cânticos de Sião’. Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estranha” (vv. 1-4).

 

Isaías profetizou durante este período da história de Israel. Ele foi, portanto, profeta da esperança, uma vez que anunciava incansavelmente que chegaria o momento em que os israelitas seriam libertados. E a sua profecia de fato se cumpriu.

 

Parece-me que a missão de Jesus se assemelha em muitos aspectos à de Isaías, mas com uma diferença fundamental: em Cristo foram cumpridas todas as profecias do Antigo Testamento. Jesus se auto define como aquele que veio “proclamar aos cativos a libertação”, ou seja, torna-los livres. Esta missão já aparece implícita no seu próprio nome, que significa Deus salva. Em outras palavras, Jesus é aquele que fundamentalmente veio redimir o homem, resgatá-lo, libertá-lo do seu cativeiro.

 

Os que militam a favor do ateísmo, incriminam o cristianismo de ser um empecilho à liberdade humana. Mas é justo o contrário: a missão de Jesus consiste exatamente em tornar livre o homem, mediante a sua redenção. Enquanto que para os habitantes de Nazaré, o anúncio feito por Jesus estava apenas no início do seu cumprimento, para nós, ao contrário, trata-se de uma missão que já foi levada à termo pelo próprio Cristo na cruz. Pela Sua morte e ressurreição, o Redentor já realizou a abertura do cárcere.

 

 

No próximo artigo, daremos continuidade à nossa reflexão. Até lá!

 

 

 

Francivaldo da S. Sousa (Vavá Silva)

Consagrado de Vida – Comunidade Remidos no Senhor

 

 

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