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AMOR PURIFICADO NA DOR

 

 

“Agradeço-vos, especialmente, por me terdes feito passar pelo candinho do sofrimento. Acredito que para ser santa é preciso sofrer”.

(Santa Teresinha)

 

 

O sofrimento é um aspecto muito doloroso da vida humana e pelo qual ninguém pode escapar, sejam em grandes ou pequenas proporções. Faz parte do mistério de Deus que sejamos acometidos de tais situações dolorosas, contudo essas experiências têm proporcionado ao homem uma verdadeira transcendência e sua capacidade de superar inúmeras intempéries, demonstra a força do Senhor que habita em seu coração.

 

O ser humano ao passar do tempo foi desbravando seu “poder” de evolução. Eu diria que, na sua essência a evolução é beneficente para a vivência humana, pois nos possibilita sermos melhores para nós mesmos e para o outro. Traz avanços na maneira de agir, de se comportar, de meditar, de falar, de sentir, como também, tem feito o homem atingir avanços significativos no campo da medicina, os quais têm ajudado muitos a superarem suas dores e enfermidades. Porém, por mais que este campo desenvolva-se, existe uma série de doenças para as quais não descobriu a cura e sem falar das novas que vão surgindo com o tempo e que ninguém, jamais, ouviu falar.

 

Quando tratamos de dor, sofrimento, enfermidades, muitos os associam a castigo de Deus, quando na realidade não passam de frutos das nossas imprudências, descuidos, violências e claro, muitas dessas surgem para nossa própria conversão, a conversão dos nossos, como também, para que a obra de Deus seja manifestada por meio de alguém.

 

Lembro aqui o episódio do cego de nascença, narrado pelo evangelista João: “Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos lhe fizeram a pergunta seguinte: ‘Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?’ Jesus respondeu: ‘Nem ele nem seus pais. Mas é para que as obras de Deus se manifestem nele’.” (Jo 9, 1-3). Note que até mesmo os discípulos tem essa mentalidade distorcida, logo associam a enfermidade a um pecado que nem ao menos existiu para que ele nascesse cego.

 

Se bem soubéssemos viver com os percalços que nos assolam e aproveitássemos as ocasiões para glorificar o Senhor, certamente poderíamos viver melhor. O exemplo de quem aproveitou suas dores e a dos seus queridos para ornar o Rei da Glória tem a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus.

 

Teresa, já nos primeiros meses de vida, sofreu graves doenças que quase a conduziram á morte. Aos quinze dias de idade, escapou de morrer de enterite aguda, uma inflamação no intestino. Com três meses, um alarme mais pesado ainda: “Está muito mal, e de modo algum tenho esperança de salvá-la. Desde ontem, a coitadinha sofre horrivelmente. Corta o coração vê-la assim”, dizia sua mãe.

 

A crise foi superada, mas obrigou a mãe (que já se viu com uma saúde bastante precária, pois tinha câncer de mama), por indicação do médico, a separa-se de Teresa, para confiá-la a uma ama de leite, sua amiga. Amamentando-a por um ano.

 

Aos seus quatro anos sua mãe falece de uma doença incurável. Apenas olhava e ficava em silêncio. Logo tomou sua irmã Paulina como segunda mãe. “O meu caráter feliz mudou completamente. Tão viva e expansiva que era, ficou tímida e doce, sensível por demais”, dizia Teresa mais tarde em seus escritos.

 

Em 1882, quando se encontrava com nove anos, teve que passar por mais uma perda. Dessa vez, sua irmã Paulina, que é tida como sua segunda mãe, entra na clausura do Carmelo. A partir de então começa a sentir dores de cabeça contínuas, insônias, tremores nervosos, alucinações, entre outros. Eram situações que médico nenhum conseguia explicar. Mas por um verdadeiro milagre, Teresa vê a Virgem sorrindo para ela, e assim é curada.

 

Após um ano e meio deste ocorrido, tudo parecia está resolvido. Até que surgem sofrimentos morais a respeito da doença. O que ela vem chamar a doença dos escrúpulos. E mais uma vez, surge uma experiência de cura na noite de natal ao ver o Menino Jesus, ela narra: “naquela noite em que se fez fraco e sofredor por meu amor, tornou-me forte e corajosa”.

 

Já no Carmelo, aos quinze anos, O Sr. Martin tem sua primeira crise. Um ano após, é internado. Uma dor imensurável, por ver seu rei se definhando.

 

Para aumentar suas dores, aos vinte e um anos, começa a sofrer da garganta, tendo cauterizações. E sendo mais agravante ainda, seu pai chega a falecer neste mesmo ano. Dizia: “Um sentimento duríssimo, reformula qualquer outra dor, outra aridez. Mas estava certa de não ter ofendido a Deus”.

 

Em 1896, aos vinte e três anos, ela tem uma primeira crise de hemoptise, um tipo de expectoração sanguínea através da tosse, proveniente de hemorragias na árvore respiratória. Por fim, no ano seguinte, já aos seus vinte e quatro anos, ela adoece gravemente e morre.

 

Acredito que este testemunho de fé pode nos nortear quanto aos possíveis padecimentos que nos atingem. Ela tinha motivos suficientes para ser uma pessoa amarga, cheia de queixas, murmurações, mas não, ela aproveitou cada momento de sofrimento para amar seu Senhor e Rei. Ela diz ainda, já perto de sua morte: “O Senhor me dá coragem em proporção ao padecimento. Sinto que, para o momento, não poderei suportar mais, mas não tenho medo porque a coragem aumentará, se a dor redobrar”.

 

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nossas vocações e missões!

 

 

 

Ismara Gomes de Sousa

Consagrada de vida na Comunidade Remidos no Senhor

 

 


Referências Bibliográficas:

Obras completas de Teresa de Lisieux, Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. 1ª. ed., São Paulo: Paulus, 2002;

História de uma alma: manuscritos autobiográficos, Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. 2ª. ed., São Paulo: Paulus, 2008.

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