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A BELEZA DA CRUZ

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Tratar de uma beleza contida na cruz é uma espécie de mergulho contra a maré, uma vez que os conceitos deste mundo são totalmente contrários àquilo que realmente nela se expressa. Para tanto, não podemos esbarrar nos valores aparentes. É preciso que se rompa com os preconceitos, a fim de encontrar os valores eternos.

 

Antes de tudo, deveríamos nos questionar: ao olhar para cruz o que enxergo claramente? A dor, o sofrimento, a morte e até mesmo, nada? Contudo, nesta hora, precisamos mais uma vez voltar o olhar e continuar buscando as riquezas e belezas que nela estão escondidas. O modelo de vida que é loucura para este mundo, mas uma verdadeira sabedoria de amor.

 

Acredito que seja preciso trilhar um caminho, cujo primeiro passo é não se deixar envolver pela ótica secular. Logo, porque o que se diz belo para o mundo, seria aquilo que tem forma perfeita e proporções harmônicas ou que seja agradável aos sentidos, aprazível, sereno. E isso, para alguém que enxerga sempre desta forma, torna como que um obstáculo imenso para enxergar os valores reais que estão escondidos. Como foi o caso dos judeus, dos pagãos e de tantos outros.

 

Os primeiros viam na cruz um instrumento de suplício, uma maldição divina, uma infâmia, uma desonra, uma punição cruenta reservada para grandes criminosos. Porém, foi o tipo de morte que eles escolheram como pena para Jesus, mediante aquilo que eles O acusavam de ter cometido. O segundo grupo, composto pelos pagãos veem como uma loucura – “Como pode alguém fazer tanto por aqueles que O desprezam? Se fosse realmente Deus, por que não preferiu amar o homem do alto do seu trono?” – Eles insistem em se perguntarem. Outros ainda, a interpretam como peso ou fardo, algo muito difícil de carregar, um instrumento de tortura e quando ainda não fazem descaso ou zombam dela. E talvez em diversas circunstâncias estejamos nós enquadrados nesses pensamentos horrendos.

 

O segundo passo, diria que o mais indicado para nós que somos cristãos, que assumimos essa identidade para nossa vida, é abrir mão dos valores aparentes, a fim de abraçarmos os valores eternos. Se eu não ultrapassar essa linha de raciocínio, permanecerei como os outros, vendo a cruz como um suplício, uma maldição, uma infâmia, uma desonra, uma punição, um peso, um fardo…

 

A beleza, na ótica cristã, está relacionada aos valores e não a aparência. Então, quais seriam esses valores que emanam da cruz? O profeta Isaías no capítulo 53, nos ajuda a compreender tudo isto com mais clareza. Ele expressa de modo fabuloso estes valores através de uma beleza contraditória. Por exemplo, a humilhação, a fraqueza, o desprezo, a perseguição, a injustiça. Nada disso foge daquilo que encontramos na cruz de Cristo. E para que estas coisas sejam bem identificadas por nós, carecemos de um processo semelhante ao do garimpeiro que cava, cava e cava para encontrar riquezas. Nós, porém, cavamos as situações para chegar a Deus.

 

Note que em Jesus, a cruz parece assumir um novo significado, pois ao olhar para seu corpo dilacerado, consegue-se perceber um homem que pouco a pouco vai perdendo as suas forças, que tem sua carne rasgando-se em dor e desprezo sob o fardo agonizante de todo pecado causado pelo o homem.

 

Observe, ainda, que aqui não há um aniquilamento da realidade, muito pelo contrário, esta passa a ser revestida de sentido. É como se esta contemplação nos conduzisse a um movimento natural que teria como fim uma experiência real com o Amor Doação. O que nos permite ao final de tudo dizermos: eis aí a maior manifestação de amor jamais vista até então.

 

Portanto, a cruz seria o lugar no qual fixaríamos o nosso olhar, o nosso ideal e enfim enxergaríamos o amor nela contido. Seria como alguém que encontrou um valoroso tesouro, pois aquele que descobre a beleza da cruz é capaz de descobrir como garantir sua vida em Deus. Garante porque ela é o ponto alto do amor de Deus e por essa razão nem mesmo o demônio ousa se aproximar de seu pé nem muito menos subir nela. O máximo que ele poderá fazer é tentar-nos para que dela saiamos, pois lá ele não nos alcança, nem nos toca.

 

Vendo-se por esta ótica, chegamos a uma conclusão: não há um lugar melhor para se estar agora senão, com a vida inteiramente e livremente, como fez Jesus, na cruz. Mergulhamos neste mistério para tornar-nos igual. E assim, inebriados, fascinados por esta beleza infinita nos deteremos neste transbordar de amor e venha o que vier, seja como for, estaremos a amar o Amado de nossa vida no ponto mais alto do nosso amor.

 

O que resta-nos então após contemplarmos esse insondável e magnífico mistério de amor? Mergulhar cada vez mais profundamente e permitir que Deus, em sua infinita bondade, nos conduza ao descobrimento de suas incontáveis riquezas. Só assim, no nosso dia a dia, poderemos experimentar essa FORÇA que emana da cruz, de forma gratuita e ao mesmo tempo avassaladora.

 

Portanto, quando faltar às respostas para as questões mais urgentes ou quando tudo parecer não se resolver, a indicação é olhar fixamente para ela e lá se encontrará a SOLUÇÃO, nela estará o Tudo e Ele, certamente, tudo dará.

 

Ainda, a cruz deveria ser um marco para todo cristão e diria mais, o começo e o fim de todas as coisas. Uma vez que nela, o céu e a terra se unem num só sentimento ao vê-la ser erguida no solo sagrado. O seu toque nos outorga a fecundidade, por meio da vida que ela mesma produz.

 

Ao contrário do que muitos pensam, ela é SANTA, BENDITA, pois foi por meio dela que o Senhor nos salvou, nos remiu, nos resgatou. Onde proliferou o pecado o Senhor fez superabundar à graça (cf. Rm5, 20b). Concedeu-nos por meio dela o alento, o repouso que tanto precisávamos no nosso cansaço, na nossa fadiga, ao fazer sobre nós uma SOMBRA inigualável, ampla e permanente. Portanto, ancore a sua vida a fim de não ficar ao fragor das ondas, agitado pelos ventos e tempestades da vida. Permita estabilizar-se neste PORTO SEGURO.

 

Nos momentos difíceis, ao está nas trevas, ela será a LUZ que ilumina todo homem. Conduzirá nossa vida, mostrará por onde andar e depois ainda fará de nós testemunhas vivas para aqueles que jazem na escuridão. Ao sentir só, não há o que temer, já que ela também é nossa PROTEÇÃO contra o pecado, contra o maligno. Permita que ela seja a defesa. Logo, porque, como ESCUDO, ela sempre se colocará a nossa frente e nem mesmo, você próprio, o inimigo ou qualquer outra coisa poderá nos fazer algum mal.

 

Nunca se viu algum fato vivenciado na cruz do Senhor que não tenha obtido vitória. E agora não será diferente. Todos os combates vividos nela serão sempre um sucesso e enfim, poderemos erguê-la como BANDEIRA DE VITÓRIA, aquela na qual fixamos no ponto mais alto de nossa vida para indicar o FIM DE GUERRA e, ainda, para que todos que a avistarem recebem a CURA e a LIBERTAÇÃO que almejam.

 

Por fim, além de tudo isso, nela também está expressa nitidamente o AMOR PURIFICADO, o PODER de Deus, a beleza insondável. Por essa razão seria a fonte inesgotável para encontrar a vida eterna, a máxima riqueza, o gozo e o prazer, que nos permitem ser fascinados a cada dia e querer fazer o mesmo, tornando-nos aquilo que contemplamos.

 

 

Ismara Gomes de Sousa

Consagrada de Vida da Comunidade Remidos no Senhor

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